O que é a dislexia?

ANUNCIUO DISLEXIA

A palavra “Dislexia” deriva do Grego, o prefixo “dys”, que significa dificuldade e “lexis” palavra escrita.

Segundo a OMS (2004) a dislexia é um distúrbio que se manifesta pela dificuldade em aprender a ler apesar da instrução ser convencional, a inteligência adequada e das oportunidades socioculturais. Esta dificuldade resulta da discapacidade cognitiva com origem neurológica, esta dificuldade afeta a perceção das letras e das palavras, logo dos símbolos escritos.

Em 1994, o Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, DSM IV, inclui pela primeira vez, a dislexia nas perturbações de aprendizagem, utiliza a denominação de Perturbação da Leitura e da Escrita e estabelece os seguintes critérios de diagnóstico: A. O rendimento na leitura/escrita, medido através de provas normalizadas, situa-se substancialmente abaixo do nível esperado para a idade do sujeito, quociente de inteligência e escolaridade própria para a sua idade. B. A perturbação interfere significativamente com o rendimento escolar, ou atividades da vida quotidiana que requerem aptidões de leitura/escrita. C. Se existe um défice sensorial as dificuldades são excessivas, em relação às que lhe estariam habitualmente associadas.

Em 2000, Hoien e Lundberg apresentaram a seguinte definição de dislexia: “Dislexia é uma perturbação em certas funções da linguagem que são importantes para a utilização do princípio alfabético na descodificação das palavras. Esta perturbação surge, inicialmente, como uma dificuldade na descodificação automática das palavras no processo de leitura. A perturbação também se manifesta na capacidade de escrita pobre. A perturbação disléxica é geralmente de transmissão familiar e pode pensar-se que existe uma disposição genética. Outra característica da dislexia é a sua persistência ao longo da vida. Embora a capacidade de leitura possa atingir um nível aceitável as dificuldades de ortografia mantêm-se, na maioria dos casos. A realização de testes de competências fonológicas permite verificar que esta incapacidade persiste ao longo da vida adulta”

Em 2003, a “Associação Internacional de Dislexia”, em colaboração com os investigadores do “National Institute of Child Health and Human Development”, desenvolveu uma definição para a dislexia:  “Dislexia é uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurobiológica. É caracterizada por dificuldades na correção e/ou fluência na leitura de palavras e por baixa competência leitora e ortográfica. Estas dificuldades resultam de um Défice Fonológico, inesperado, em relação às outras capacidades cognitivas e às condições educativas. Secundariamente podem surgir dificuldades de compreensão leitora e experiência de leitura reduzida que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais”.

Tipologia

Temos de distinguir dois tipos de dislexia quanto ao momento do surgimento: a dislexia adquirida e a dislexia evolutiva ou desenvolvimental. Nas dislexias adquiridas o leitor aprendeu a ler e a escrever corretamente e por causa de um traumatismo ou lesão deixa de o poder fazer, na dislexia  desenvolvimental  o leitor manifesta dificuldade em ler desde o início.

Nas dislexias adquiridas temos de distinguir : a dislexia fonológica, a superficial e a profunda. Na dislexia fonológica o leitor apresenta dificuldade em ler pseudo-palavras, em ler palavras não familiares, seguem a via lexical, ou seja, leem palavras familiares de qualquer extensão e mesmo de estrutura silábica complexa. Dão erros de lexicalização, erros morfológicos e erros em palavras funcionais. Na dislexia superficial o leitor revela dificuldades em ler palavras irregulares, não reconhecem a  palavra como um todo, tem dificuldade em reconhecer o significado de palavras homófonas isoladas do contexto textual, tem facilidade em descodificar pseudo-palavras, usam a via sublexical, isto é, o reconhecimento das palavras é feito pela análise dos sons constituinte e recorrem à estratégia de tentativa e erro para adivinhar a pronúncia correta.  Na dislexia profunda ambas as vias de acesso estão comprometidas. São características principais: dificuldade em ler pseudo-palavras, erros de semântica ou paralexias, dificuldade em aceder ao significado das palavras, dificuldade em ler palavras abstratas, verbos palavras funcionais e recorrem ao significado para ler a palavra.

As dislexias desenvolvimentais caracterizam-se por deficiência grave na aprendizagem da leitura, não há lesão cerebral, a inteligência está acima da média  e são excluídos outros problemas como problemas emocionais, oportunidades educativas. Neste tipo de dislexias temos de distinguir a dislexia fonológica,  a superficial e a mista .Na dislexia fonológica verifica-se défice na conversão grafema-fonema, há dificuldade em diferenciar sons, dividir sílabas, sintetizar sons em palavras, perceber um som no meio da palavra. Verifica-se também dificuldade em ler pseudo-palavras e palavras pouco frequentes e erros de lexicalização. Na dislexia superficial verifica-se dificuldade na diferenciação, reconhecimento, interpretação e recordação de palavras, dificuldade na união dos fonemas e leitura global da palavra, dificuldade em compreender palavras homónimas, dificuldade em distinguir palavras funcionais ou abstratas, erros de regularização e inversões de sílabas. omissões e substituições. ( Castro&Gomes,2000). Na dislexia mista há dificuldade na aquisição de ambos os procedimentos por problemas fonológicos , percetivos-visuais e neurobiológicos.

Avaliação

A avaliação é muito importante e deve começar pela exploração no individuo da sua história médica, desenvolvi mental, escolar, social e familiar. A avaliação deve abranger os seguintes aspetos: avaliação neuropsicológica, psicolinguística, psicológica e compreensiva.

Na avaliação  neuropsicológica pretende-se avaliar  e identificar problemas relacionados com o funcionamento do cérebro. Nesta avaliação  devem-se recolher informações relativas aos acontecimentos mais importantes do desenvolvimento para se facilitar o estabelecimento de ligações entre os atrasos anteriores e o problema atual, devem ser recolhidos dados sobre a história pré e perinatal, sobre a história educativa, a história médica e social do indivíduo. Depois de obtida a informação necessária passa-se à exploração das diversas áreas que constituem o foco de interesse neuropsicológico: perceção, motricidade, funcionamento psicolinguístico, linguagem e desenvolvimento emocional.

Na avaliação psicolinguística Schaywitz sugere a avaliação da capacidade fonológica, da memória fonológica, nomeação rápida automática, o conhecimento do som das letras e da compreensão auditiva. A avaliação da capacidade fonológica engloba a  consciência fonológica, ou seja, o conhecimento da estrutura sonora das palavras , inclui a sensibilidade à rima e  a segmentação e manipulação de sílabas. A memória  permite avaliar a capacidade da criança para manter na memória imediata uma série de números ou palavras apresentadas oralmente. Através da nomeação rápida avalia-se o acesso ao léxico no âmbito do processamento fonológico, mede-se, também, a velocidade e precisão. Deve-se avaliar o conhecimento do som das letras através do PEDE. Na compreensão auditiva a criança aponta para um objeto num cartão entre vários de acordo com a palavra pronunciada pelo avaliador.

É também muito importante avaliar na criança do 1º ciclo as habilidades visuoespaciais, avaliar a compreensão auditiva/discriminação auditiva, avaliar a compreensão leitora, avaliar a compreensão das palavras homófonas isoladas do contexto textual, avaliar a fluência leitora, a leitura de pseudopalavras, palavras irregulares e palavras não familiares, teste de escrita/ditados e teste de discriminação de palavras.

Intervenção

A reeducação da dislexia

Na dislexia devemos ter em consideração as perturbações da criança e sobretudo as suas potencialidades, apoiando-nos nelas e fomentando-as ao máximo. A intervenção deve começar o mais cedo possível de forma a evitar problemas mais severos e garantindo o êxito de aquisições mais complexas.

Para iniciar a reeducação deve-se intervir a nível multissensorial, baseado na aprendizagem de unidades básicas de sons, formadas por letras individuais ou por combinações de letras. Nestas técnicas intervêm a memória visual, auditiva, articulatória, táctil, grafomotora e rítmica.

Quais são os princípios desta intervenção?

Em primeiro lugar deve-se definir e adaptar um programa ao nível do desenvolvimento que a criança se encontra, intervir e melhorar os défices fonológicos e recorrer a habilidades mentais superiores e considerar os fatores de sucesso da intervenção.

Para melhorar os défices fonológicos deve-se  identificar os pontos fortes e partir desses pontos como auxiliares na melhoria do défice fonológico recorrer á criatividade, raciocínio, visualização, empatia, conceptualização e análise.

Um programa de treino de leitura deve ter em conta os seguintes aspetos: ensino direto e sistemático da consciência fonológica , associação do grafema/fonema, pronunciar palavras, ou seja, fazer a sua descodificação, ortografia, leitura de palavras à primeira vista, vocabulário e conceitos e estratégias de compreensão da leitura; deve-se , também praticar as habilidades de leitura/escrita, treinar a fluência da leitura e proporcionar experiências linguísticas enriquecedoras.

Os programas devem ser focados no desenvolvimento de capacidades de identificação automática de sons e no ensino de características motoras orais de sons individuais da fala. O que interessa aqui é elevar a fluência leitora do aluno e para que isso aconteça é necessário que o aluno conheça o material e praticar consiste em ler pelo menos 4 vezes uma passagem.

Como deve ser treinada a fluência?

Este treino tem de ser feito na escola e em casa.

Na escola ler inicialmente palavras isoladas, depois textos descodificáveis, apresentados com antecedência. Os textos mais adequados são: poemas, textos dramáticos e sua posterior dramatização e letras de músicas.

Em casa  devem ser realizadas sessões de 15 minutos em que os pais lêem uma história e depois lêem-na em conjunto comos filhos, finalmente o filho lê a história sozinho. Outra atividade pode ser a do reconto da história, ou seja, os pais lêem a história e depois o filho reconta a mesma, trabalhar palavras novas através de viagens, recorrer à escrita de um diário, ler o jornal ou panfletos do supermercado. É muito importante existir convergência de estratégias e objectivos entre explicadores, casa e escola.

Os alunos devem falar em voz alta sobre os conteúdos da leitura praticada repetidamente dadas as dificuldades que manifestam no acesso ao léxico. Deve ser registado o índice de fluência num gráfico para a criança se consciencializar dos seus progressos. O computador também pode ser utilizado para a prática de leitura de palavras isoladas, leitura de pequenos textos, frases, bem como para escrever ditados. Ao nível dos conteúdos é importante trabalhar o significado.

Na sala de aula é muito importante evitar que o aluno não leia em voz alta se não conhecer o texto, qualquer atividade de leitura ou escrita deverá ser reforçada com elogios, os seus trabalhos não deverão ser comparados comos dos deus colegas, deve-se recorrer, como já referi, ao ensino multissensorial, deixar o aluno seguir com o dedo a sua leitura, permitir ao aluno fazer marcas e divisões do texto, pedir ao aluno para resumir pequenos parágrafos, privilegiar   a avaliação oral, só considerar os erros ortográficos em ditados ou exercícios de ortografia, encorajar o aluno a escrever pequenos textos, nos verbos , orientar o aluno na identificação dos indicadores de tempo, ensinar o verbos menos complexos ao nível da ortografia e na redação de textos privilegiar o conteúdo em vez da forma.

Trabalho da Profª Dra. Elizabete Vidal Marques
Albergaria-a-Velha

Para saber mais contacte Phonema ATL, Apoio ao Estudo, Explicações e consultório para a reeducação da dislexia em Albergaria-a-Velha TLm 938810096

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